O leverage ratio é quantos milímetros a roda traseira se move para cada milímetro que o amortecedor comprime. Se a roda desce 3 mm e o amortecedor 1 mm, o leverage ratio é 3:1. Não é um número fixo: muda ao longo do curso, e essa curva —não a média— decide se a sua bike é progressiva, linear ou regressiva. É a peça-mãe de toda a cinemática de suspensão.
Se você só ficar com uma ideia de toda a suspensão, que seja esta. O leverage ratio é a alavanca invisível entre a sua roda e o amortecedor, e explica por que duas bikes com o mesmo curso se sentem completamente diferentes.
Por que uma chave longa solta um parafuso que a sua mão sozinha não consegue? Por alavanca: quanto mais longo o braço, mais a sua força se multiplica.
A sua roda e o amortecedor estão unidos por um sistema de barras que faz exatamente isso: multiplica. O leverage ratio responde a uma pergunta simples: o quanto a roda se move para cada milímetro que o amortecedor comprime?
É uma divisão, nada mais: curso da roda ÷ curso (stroke) do amortecedor. Uma bike com 150 mm de roda e um amortecedor de 50 mm de stroke tem um leverage ratio médio de 150 ÷ 50 = 3,0. É adimensional (não tem unidade): só diz "3 para 1".
Um leverage ratio alto (por exemplo 3:1 ou mais) dá mais vantagem à roda sobre o amortecedor: a suspensão se sente mais sensível, mas o amortecedor trabalha mais duro, então pede mais pressão de ar ou uma mola mais rígida para sustentar o seu peso. Um baixo pede menos pressão e costuma dar mais suporte, mas menos sensibilidade fina. Nem um nem outro é "melhor": é o caráter que o engenheiro escolheu.
Duas bikes podem ter o mesmo leverage ratio médio (digamos 2,7) e se sentir opostas: uma começa em 3,2 e desce para 2,2 (progressiva, aguenta o fundo); outra se mantém plana em 2,7 (linear). Por isso comparar bikes só pelo "leverage ratio médio" é como comparar duas músicas só pela duração. A forma é tudo — e isso vemos na curva de progressividade.
O quanto a roda se move para cada mm do amortecedor. 3 mm de roda para 1 mm de amortecedor = 3:1.
Não: diferente. Alto = mais sensível mas pede mais pressão/mola. O que decide é a forma da curva, não o número.
Muda com a compressão, não com o pedalar. Cada ponto do curso tem o seu próprio valor (instantâneo).
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