Rodas e raios · Glossário

Padrão de raiação e número de cruzes

Resposta rápida

O número de cruzes (X) conta quantas vezes cada raio passa ao lado dos demais raios do mesmo lado do cubo antes de chegar ao aro. O ângulo percorrido é a = 4πX/n, com n o total de raios: 32 raios a 3 cruzes cobrem 67,5 graus. Sob carga radial, 2, 3 ou 4 cruzes rendem praticamente igual, segundo Gavin (1996). A diferença aparece sob carga lateral, onde os raios mais longos de um padrão cruzado deformam menos que os curtos de um radial.

Quantas cruzes usar se responde na curva, não com o ciclista parado em cima da balança.

O que é uma cruz

O número de cruzes, X, conta quantas vezes cada raio passa por cima ou por baixo dos demais raios do mesmo lado do cubo antes de chegar ao aro. Com n raios no total, o ângulo que esse raio percorre em volta do cubo é a = 4πX/n. É geometria derivada, não medida de laboratório: sai da disposição dos furos, e o código que calcula está publicado.

Um exemplo de referência: 32 raios a 3 cruzes cobrem 67,5 graus em volta do cubo. Aumentar X sem mexer em n abre esse ângulo: mais cruzes, raio mais longo e mais tangente ao cubo; menos cruzes, raio mais curto e mais próximo do radial.

Sob carga radial, quase não faz diferença

Com a roda carregada do jeito que o peso do ciclista normalmente se apoia — do cubo para o chão —, Gavin (1996) encontrou que o padrão é indiferente: 2, 3 ou 4 cruzes se comportam praticamente igual. Se a única pergunta é quanto a roda afunda com o ciclista sentado parado, o número de cruzes não decide nada.

Isso explica por que tantas rodas radiais funcionam sem drama no uso normal de rua ou pista: a carga que domina o dia a dia não é a que separa um padrão do outro.

Onde aparece é na curva

O efeito grande de Gavin aparece sob carga lateral, a de uma curva fechada ou uma batida de lado num meio-fio. Ali os raios mais longos — os de maior cruze — deformam menos que os raios curtos de um radial, porque têm mais comprimento elástico para repartir o mesmo deslocamento do aro.

O próprio autor não rodeia: cargas laterais grandes podem encurtar a vida à fadiga «considerably». A discussão das cruzes não se ganha com o peso em cima do selim: se ganha colocando a roda numa curva.

Quantas cruzes cabem, e quando se usa cada uma

O limite rígido é geométrico: X tem que ser menor que n/4, ou o raio deixa de traçar um percurso coerente entre o furo do cubo e o furo do aro. O de oficina é mais estreito: até 3 cruzes em rodas de 24 raios, até 4 em rodas de 32 e 36.

Dentro dessa margem, radial vai em dianteiras de poucos raios que buscam o raio mais curto e não transmitem torque de pedalada — por isso não se usa na roda motriz. 3 cruzes é o padrão padrão: bom ângulo tangente ao cubo sem chegar perto do limite de folga. 4 cruzes aparece em rodas de 32 ou 36 raios para carga ou uso agressivo, com o ângulo mais fechado repartindo melhor o torque da transmissão. Isso é critério de oficina acumulado, não um ensaio publicado comparando os quatro padrões entre si.

Ângulo por cruzes
a = 4πX/n
Exemplo: 32 raios, 3 cruzes
67,5°
Limite geométrico
X < n/4
Limite de oficina, 24 raios
até 3 cruzes
Limite de oficina, 32 e 36 raios
até 4 cruzes
Carga radial
2, 3 e 4 cruzes, praticamente igual
Erro comum: Achar que, se o limite geométrico X < n/4 permite, qualquer número de cruzes funciona igual na prática. Numa roda de 24 raios o limite de oficina já cai para 3 cruzes, mesmo que o geométrico matematicamente ainda deixasse margem: forçar mais aperta o ângulo do raio contra a flange do cubo.
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Perguntas frequentes

O que significa o número de cruzes numa raiação?

É o X na fórmula a = 4πX/n: quantas vezes cada raio passa ao lado dos demais do mesmo lado do cubo antes de chegar ao aro. 32 raios a 3 cruzes cobrem 67,5 graus em volta do cubo.

O padrão de raiação importa com o peso do ciclista parado?

Quase nada. Gavin (1996) encontrou que sob carga radial 2, 3 ou 4 cruzes rendem praticamente igual.

Quando aparece a diferença entre 2, 3 e 4 cruzes?

Sob carga lateral, a de uma curva fechada ou uma batida de lado: os raios mais longos de um padrão cruzado deformam menos que os curtos de um radial, e cargas laterais grandes podem encurtar a vida à fadiga, segundo o mesmo estudo.

Quantas cruzes cabem conforme o número de raios da minha roda?

O limite geométrico é X < n/4. O de oficina é mais estreito: até 3 cruzes em 24 raios, até 4 em 32 e 36, e radial fica nas dianteiras de poucos raios dentro dessa margem.

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BikeLab-pedia · Cluster Rodas e raios / Tensão, centragem e raios de bicicleta / Carlos Eduardo Ravello Joo · BikeLab Studio · Trujillo, Peru