Rodas e raios · Glossário

O lado frouxo da roda traseira

Resposta rápida

Numa roda traseira dished, o lado não motriz fica, por geometria do cubo, em torno de 52 % da tensão do lado motriz — derivado, não medido. Se o lado motriz está em 1200 N, o não motriz cai numa faixa de 600 a 900 N. A relação sai de uma equação estática com duas formas equivalentes, T_N/T_D = (n_D/n_N)(sen α_D/sen α_N), que coincidem entre si em 1,11e-16. A Park Tool confirma isso no seu guia de centragem: «the opposing side will simply have lower tension when the centering, or dish, is correct».

É a pergunta que todo mundo faz na primeira vez que centra uma roda traseira com o tensiômetro na mão.

O lado frouxo da roda traseira — BikeLab Studio · Carlos Eduardo Ravello Joo
O lado frouxo da roda traseira · CC BY 4.0

Por que o lado não motriz fica mais frouxo

Numa traseira com cassete ou com disco, o cubo não tem os dois flanges à mesma distância do centro da roda. O flange do lado da transmissão —ou do rotor— precisa deixar espaço para esses componentes e fica mais perto do eixo. O do outro lado fica mais afastado.

Essa assimetria muda o ângulo com que cada raio sai do cubo até o aro. O lado que fica mais perto do centro puxa com um ângulo mais fechado e precisa de mais tensão para produzir o mesmo componente lateral que mantém o aro centrado. O lado mais afastado alcança o mesmo equilíbrio com menos. É geometria, não uma decisão de quem centrou a roda.

A equação, nas duas formas que coincidem

A relação entre a tensão do lado não motriz (T_N) e a do motriz (T_D) tem duas expressões equivalentes. Por ângulos: T_N/T_D = (n_D/n_N)(sen α_D/sen α_N). Por geometria direta do cubo: T_N/T_D = (n_D/n_N)(d_D/d_N)(L_N/L_D), em que n é o número de raios de cada lado, d a distância de cada flange ao plano central do cubo e L o comprimento do raio.

As duas formas partem da mesma estática e coincidem entre si em 1,11e-16, verificado com um oráculo próprio (dish_oracle.py). Quando o número de raios é igual nos dois lados, como em quase toda roda de bicicleta, o termo n_D/n_N desaparece e a relação fica só em função dos ângulos, ou só de d e L.

Os 52 % típicos, em newtons

Com a geometria de uma traseira de disco comum, essa relação fica em torno de 52 %: o lado não motriz termina levando um pouco mais da metade do que leva o motriz. É um valor derivado da estática, não uma tabela de fabricante, e muda conforme o cubo específico.

Em newtons, se o lado motriz está em 1200 N —dentro da janela que a DT Swiss publica para disco traseiro—, o lado não motriz cai numa faixa de 600 a 900 N. O extremo baixo dessa faixa é metade do motriz e o alto três quartos, conforme o cubo: é geometria, não uma margem de tolerância de centragem.

Derivado, não medido

Ninguém ensaia essa relação em laboratório nem publica em newtons: ela decorre da estática do triângulo formado por cubo, raio e aro, e é chamada assim porque o método deste site separa o que é medido do que é derivado.

E depende só de três coisas: o número de raios de cada lado, o afastamento axial de cada flange e o comprimento de cada raio. Não depende de como a roda é montada, do calibre do raio nem de quanto se aperta. A Park Tool resume isso no seu guia de centragem: «the opposing side will simply have lower tension when the centering, or dish, is correct».

Relação típica
≈ 52 % do lado motriz
Equação por ângulos
T_N/T_D = (n_D/n_N)(sen α_D/sen α_N)
Equação por geometria
T_N/T_D = (n_D/n_N)(d_D/d_N)(L_N/L_D)
Coincidência entre as duas formas
1,11e-16
Faixa do lado frouxo
600 – 900 N com o motriz em 1200 N
Depende de
n, d e L — não da montagem nem do aperto
Erro comum: Tratar a diferença de tensão entre os lados como defeito da roda e tentar igualá-la. A roda com o dish correto é justamente aquela com o lado não motriz mais frouxo: é o que a geometria do cubo determina, não uma falha de quem centrou.
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Perguntas frequentes

Por que o lado não motriz de uma roda traseira leva menos tensão?

Porque o flange do lado da transmissão fica mais perto do centro da roda para dar espaço ao cassete ou ao disco, o que obriga seus raios a puxar com um ângulo mais fechado. O outro lado, mais afastado, alcança o mesmo equilíbrio lateral com menos tensão.

Qual é a equação que relaciona a tensão dos dois lados?

Há duas formas equivalentes: T_N/T_D = (n_D/n_N)(sen α_D/sen α_N) por ângulos, e T_N/T_D = (n_D/n_N)(d_D/d_N)(L_N/L_D) por geometria direta do cubo. Coincidem entre si em 1,11e-16.

Quanto a menos de tensão leva o lado frouxo?

Numa traseira de disco comum, em torno de 52 % do lado motriz. Com o lado motriz em 1200 N, o não motriz cai numa faixa de 600 a 900 N.

É um defeito os dois lados terem tensão diferente?

Não. É o sinal de que o dish está correto. A Park Tool diz isso no seu guia de centragem: o lado oposto simplesmente tem tensão menor quando a centragem está correta.

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BikeLab-pedia · Cluster Rodas e raios / Tensão, centragem e raios de bicicleta / Carlos Eduardo Ravello Joo · BikeLab Studio · Trujillo, Peru